A pressão sobre Gianni Infantino está a aumentar de forma significativa, com várias federações europeias a prepararem a retirada das cartas de apoio à sua recandidatura à presidência da FIFA.
A iniciativa, que pode culminar no fim de um reinado de 10 anos, surge depois do colapso do projeto privado que pretendia vender partes dos direitos do Mundial, um plano que foi travado quando associações da UEFA ameaçaram boicotar futuras competições organizadas pela FIFA.
Antes da crise da semana passada, 52 das 55 federações da UEFA tinham enviado cartas a apoiar um quarto mandato de Infantino nas eleições marcadas para março, ficando de fora apenas Alemanha, Roménia e Noruega.
Agora, segundo o The Guardian, um número crescente de países discute a revogação formal desse apoio, numa medida que poderá assumir a forma de uma retirada simultânea ou de anúncios individuais nos próximos dias. Qualquer federação que pretenda anular a carta terá de comunicar essa decisão à FIFA.
De acordo com o mesmo jornal, a retirada do apoio seria interpretada como um verdadeiro voto de desconfiança e aumentaria a pressão para que Infantino renunciasse ao cargo. O ambiente no futebol europeu continua tenso e existe um forte desejo de acelerar uma mudança na liderança da FIFA. Ao mesmo tempo, decorrem contactos com federações de outras confederações, numa tentativa de alargar a oposição ao dirigente suíço.
Apesar do fracasso do projeto FIFA Forward Enterprise, Infantino continua a contar com apoios públicos de várias federações asiáticas, incluindo Catar, Sri Lanka e Kuwait.
No entanto, responsáveis do futebol europeu questionam se todas essas associações têm plena consciência do nível de contestação que o presidente enfrenta. A Confederação Africana de Futebol e a Conmebol mantêm-se alinhadas com Infantino, tornando a Ásia e a América do Norte os principais campos de batalha na disputa pela liderança da FIFA.
Entretanto, intensificam-se os esforços para encontrar um candidato alternativo. Qualquer nome que avance para as eleições terá de reunir apoio significativo fora da Europa, especialmente na Confederação Asiática e na Concacaf. A capacidade de unir rapidamente as federações em torno de uma alternativa poderá ser decisiva para convencer o atual presidente de que a sua permanência na FIFA deixou de ser sustentável.
Gianni Infantino, de 56 anos, dirige a entidade máxima do futebol mundial desde fevereiro de 2016, altura em que sucedeu ao polémico Joseph Blatter. Antes disso foi secretário-geral da UEFA de 2009 a 2016.
2026-08-03T09:32:47Z