FC PORTO QUER FPF A PAGAR POR LESãO DE BEDNAREK: "O GRANDE PROBLEMA..."

Lúcio Correia, professor de direito do desporto da Universidade Lusíada, considera que a queixa do FC Porto à FPF, por conta da lesão contraída por Jan Bednarek, na vitória sobre o Torreense, para a Supertaça Cândido de Oliveira, tem "perfeito enquadramento na lei".

O FC Porto está a ponderar seriamente a hipótese de fazer chegar à Federação Portuguesa de Futebol (FPF) uma queixa e consequente pedido de indemnização fruto da lesão contraída por Jan Bednarek, no passado sábado, na primeira parte da vitória alcançada sobre o Torreense, por 1-0, que valeu a conquista da Supertaça Cândido de Oliveira.

 

Tal como foi noticiado pelo Desporto ao Minuto, o internacional polaco foi diagnosticado com um estiramento no ligamento lateral interno do joelho direito, que torna praticamente impossível a presença no duelo da jornada inaugural da I Liga, diante do Alverca, que está agendado para as 18h00 (hora de Portugal Continental) do próximo domingo, no Estádio do Dragão.

A direção liderada por André Villas-Boas alega que este contratempo físico foi provocado pelo mau estado do relvado do Estádio Cidade de Coimbra, situação que, a verificar-se, dará força a uma compensação financeira, na opinião de Lúcio Correia, professor de direito do desporto da Universidade Lusíada.

"Isto é uma situação que não é muito comum. Não é uma situação que os clubes ou outros agentes possam, efetivamente, utilizar, mas tem perfeito cabimento na lei, e, obviamente, a prova terá de ser o FC Porto a fazê-la, a indicar e a quantificar. Depois, obviamente, a Federação irá responder pela mesma, mas isso tudo tem perfeito enquadramento na lei", apontou.

"Aqui, o que é importante é, de facto, o FC Porto ter essa capacidade de demonstrar que o relvado não estava em condições, e, ainda pior - é aqui que está a grande complicação desta ação - é que foi o estado do relvado o causador da lesão de algum dos seus jogadores, que tenha, eventualmente, exclusivamente decorrido, de facto, pelo estado do relvado", prosseguiu.

"Isto é que é o grande problema dessa ação. Agora, é óbvio que a ação pode não ter, obviamente, só este conteúdo. Pode ter, até, outras questões e outros danos em que o FC Porto ou outro clube se sinta lesado. Não é comum, mas é enquadrado na lei e é possível", completou, em declarações prestadas, já esta segunda-feira, à Antena 1.

FPF pode mesmo estar em apuros

A FPF, por seu lado, delega as responsabilidades sobre a empresa que contratou para organizar a partida. Ainda assim, avisa Lúcio Correia, se for considerada culpada, terá mesmo de 'abrir cordões à bolsa': "Aquilo que está na lei é que, independentemente de a culpa ser da própria Federação ou ser das pessoas a quem recorreu no exercício das suas funções e das suas competência, a Federação, em último lugar - caso, obviamente, essa culpa fique devidamente atestada e provada - responsabiliza sempre os terceiros".

"Depois, se, eventualmente, pelos danos que pode vir a suportar perante o FC Porto ou qualquer outro clube, se apure essa responsabilidade e sofra as consequências, então, sim, a própria Federação poderá ir junto dessa empresa e, obviamente, pedir o ressarcimento dos danos que, entretanto, pagou. É exatamente o oposto daquilo que está no próprio comunicado da Federação. A lei, aí, é clara", concluiu.

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2026-08-03T13:01:34Z